Atualizações:

07/06/2007
Adicionado a página inicial de Svein.

01/06/2007
Adicionada a página Acordo para extração de Petróleo em Svein ao site.

01/06/2007
Adicionada a página sobre a Base Militar de Al-Parrazon/Sion em Svein ao site.

25/05/2007
Adicionada a página Dinastia Belvedere à Página de Namaster.

07/04/2007
Adicionada a página Economia de Noyarsky.

04/04/2007
Adicionada a página inicial de Noyarsky e a página do Governo de Noyarsky.

19/01/2007
Adicionado um artigo sobre a História de Zenkai.

19/01/2007
Adicionado um artigo sobre a História de Xian.

18/01/2007
Adicionado a página inicial de Simea.

Relevo de Tantris


Os Tântras

Tantra, é o nome dado às escrituras esotéricas do Budismo Vajrayana (Tântrico). Em ambos os casos, essas escrituras são marcadas por um grande simbolismo, tornando-se essencial que seus ensinamentos sejam transmitidos e estudados apenas com a ajuda de um professor qualificado.

Os eruditos tântricos costumam atribuir os tantras ao próprio Buddha Shakyamuni. Alguns afirmam que eles foram transmitidos em um dia de lua cheia, um ano após o despertar de Shakyamuni. Outros autores afirmam que os tantras foram transmitidos um mês antes de o Buddha manifestar o parinirvana (isto é, de falecer e alcançar a liberação final).

Segundo os tantras budistas, é possível atingir a iluminação em um período de tempo relativamente curto através da transformação das emoções negativas (apego, ódio, ignorância, etc.), ou mais precisamente, revelando a sua verdadeira natureza. Os tantras de Guhyasamaja e Heruka Chakrasamvara, por exemplo, trabalham com a transmutação do desejo, enquanto o tantra de Yamantaka trabalha com a transmutação do ódio.

O tantra propõe incorporar todas as ações, todos os pensamentos, todas as emoções, no caminho. Nada em si é puro ou impuro, bom ou ruim, mundano ou transcendente; as coisas só aparecem para nós destes modos por causa das idéias pré-concebidas. No sistema do tantra, qualquer ação — até mesmo andar, comer, defecar ou dormir — pode ser incorporada ao caminho espiritual.

Definição

O verdadeiro significado da palavra tantra é "continuidade", no sentido de que apesar de todos os fenômenos serem vazios, ainda assim eles continuam a se manifestar. Todos os métodos tântricos trabalham com esta continuação, tomando a vacuidade de todos os fenômenos — com a qual os os sutra trabalham — como sua premissa básica.

Os tantras são baseados no conhecimento e aplicação da energia. Sua origem não é encontrada nos ensinamentos orais de um mestre, como é o caso dos sutras ensinados por Buddha, mas sim da manifestação na visão pura de um ser realizado. Um manifestação pura surge através da energia dos ensinamentos em seu aspecto sutil e luminoso, enquanto nossa visão kármica é baseada em seu aspecto grosseiro ou material. Portanto, para receber este tipo de transmissão, é necessário ter a capacidade de perceber a dimensão sutil da luz.

Origens:

Para explicar as origens dos Tantras, podemos tomar como exemplo o mais conhecido, o Kalachakra, o qual se considera ter sido transmitido pelo próprio Buddha Shakyamuni. É claro, porém, que esse tantra não poderia ter sido transmitido pelo Buddha em seu aspecto físico, pois a divindade Kalachakra é representada em união com sua consorte, um forma conhecido como pai-mãe (tib. yab-yum), enquanto o próprio Buddha era um monge. Isto mostra como a transmissão de um tantra não vem pelo contato de uma natureza comum, mas sim através da dimensão pura da transformação, que é perceptível apenas por aqueles indivíduos que possuem capacidade suficiente.

De acordo com a tradição, os tantras foram abertos pela primeira vez para o rei Indrabodhi, de uma região de Tântris, quando não estava unificado. Um dia, o rei estava na sacada de seu palácio quando avistou o Buddha voando com o seu séqüito de arhats. O rei Indrabodhi perguntou a seu ministro quem eram esses extraordinários seres e se aceitariam um convite para almoçar em seu palácio. O rei então ofereceu uma bela refeição ao Buddha, que por sua vez lhe deu um ensinamento sobre a renúncia aos apegos mundanos. O rei ouviu com atenção, mas ao final perguntou se o Buddha poderia oferecer um ensinamento que não requeresse a renúncia aos seus deveres de soberano, seus prazeres ou sua riqueza. "Sou um rei", disse ele, "e centenas de milhares de súditos dependem de mim. Não posso abandonar minhas responsabilidades." O Buddha, em sua onisciência, reconheceu que o rei Indrabodhi tinha karma para praticar o Vajrayana e, algum tempo mais tarde, abriu a mandala de Guhyasamaja para ele, aparecendo no céu como a deidade e séqüito e concedendo iniciação e ensinamentos. O rei praticou tão bem que tanto ele quanto seus súditos atingiram a iluminação.

Termas

Os termas são escrituras que foram deliberadamente escondidas e descobertas em sucessivos momentos apropriados por mestres realizados, através do seu poder iluminado. Os termas são ensinamentos que representam uma profunda, autêntica e poderosa forma tântrica do treinamento buddhista. Centenas de tertöns, os descobridores dos tesouros de Dharma, encontraram milhares de volumes de escrituras e objetos sagrados, escondidos na terra, na água, no céu, nas montanhas, nas rochas e na mente. Praticando estes ensinamentos, muitos de seus seguidores alcançaram o estado de iluminação completa, o estado búddhico. Várias escolas do budismo têm termas, porém a tântrica é a mais culturalmente rica.

Do Samsara ao Nirvana - da Ignorância à Iluminação

A sabedoria tântrica traz o nirvana ao samsara - ciclo de morte e reincarnação. Isso pode parecer um pouco chocante; antes de alcançar o nível do tantra, tentamos abandonar o samsara e nos esforçamos par alcançar o nirvana. mas, no fim, temos de compreender a inutilidade de nos esforçarmos e então, nos tornamos completamente unos com o nirvana. Para captar realmente a energia do nirvana e nos tornarmos unos com ele, precisamos de uma parceria com o mundo ordinário. Por isso, a expressão "sabedoria ordinária" é muito usada na tradição tântrica.

Os métodos tântricos permitem lidar diretamente com as delusões e emoções conflitantes. De fato, as delusões que devem ser abandonadas e os diversos tipos de qualidades espirituais que precisam ser cultivadas são vistas como os dois lados da mesma moeda, ao invés de serem dois tipos de experiência completamente opostos. Por isso, o sistema tântrico também é chamado "tradição esotérica" — não por conter alguma coisa que precise ser mantido em segredo, mas sim porque a prática do tantrismo requer que o praticante tenha certos atributos. Em um certo sentido, é preciso ter alguma habilidade para praticar o tantra, senão sua prática não trará nenhum benefício. Os ensinamentos tântricos são mantidos em segredo até certo ponto — não porque o seu conteúdo não deva ser revelado, mas sim porque muitas pessoas são incapazes de compreendê-los. O objetivo da prática tântrica é atravessar o abismo entre o consciente e o inconsciente, o sagrado e o profano, e todas as outras dualidades.

O tantra é um caminho de transformação da não-iluminação (ignorância) e das emoções como a essência búddhica e as virtudes búddhicas. Mas isto não é uma transformação de algo em outra coisa, de ferro em ouro, como alguns eruditos recentemente entenderam; é transformar, purificar ou aperfeiçoar algo que está maculado para o seu próprio estado verdadeiro. Os sutras e tantras não diferem quanto à visão da vacuidade, a verdade absoluta, mas suas diferenças estão na visão das aparências, a verdade relativa.

Apesar de o resultado último ser o mesmo, isto é, a iluminação, a diferença entre o Sutra e o Tantra está nos métodos de prática. O Budismo Vajrayana tem mais métodos de prática, centenas e milhares de diferentes divindades para subjugar incontáveis máculas através de meditações, recitação de mantra e visualizações. A visualização é para purificar o corpo. A recitação de mantra é para purificar a fala. A meditação sobre a essência última da divindade é para purificar a mente. Dentro de uma sessão de prática, você envolve toda parte do seu corpo e isto é um método muito profundo. Se você oferecer um pedaço de fruta com sinceridade, você pode acumular muitos méritos. Através da visualização, pode-se criar oferendas infinitas. A quantidade de méritos que se pode acumular é vasta e incontável.

Filosofia

Os métodos tântricos procuram extrair dos três venenos da mente — desejo (apego), ódio (raiva, aversão) e ignorância (desconhecimento) — os seus respectivos antídotos — os meios hábeis, a compaixão e a sabedoria. Por exemplo, uma mente tomada pelo veneno do desejo faz uma grande concentração sobre o seu objeto de anseio, e essa própria concentração será utilizada como o antídoto para o desejo. De maneira semelhante, o veneno da raiva carrega uma grande energia, e essa poderosa energia será utilizada como antídoto para a raiva. Finalmente, o reconhecimento da natureza vazia do veneno da ignorância origina o seu antídoto, a sabedoria.

No tantra, as três jóias (triratna) do refúgio externo — Buddha, Dharma e Sangha — são reinterpretados como as "três raízes" do refúgio interno — o Lama, o Yidam e a Dakini. O mestre ou Lama, representado o Buddha, é o detentor da linhagem e das bênçãos, que confere as iniciações, as transmissões orais e os ensinamentos. O professor principal de um praticante Vajrayana é chamado mestre raiz.

As escolas do Budismo tântrico dividem os tantras em quatro categorias, de acordo com a classificação do Vajrapanjara Tantra. As três primeiras categorias são chamadas de "tantras inferiores" por serem práticas preparatórias para a quarta categoria, o "tantra superior":

  • Tantras de Ação (Kryia-tantra): são os mais antigos (séculos II-VI) e foram os primeiros a seres traduzidos para o xianês (a partir do século III). Nesta classe, estão os textos que enfatizam o vegetarianismo, ritos e atividades externas de limpeza e purificação, como o Arya-manjushri-mulakalpa, o Subahu-paripriccha Sutra e o Aparimia-ayurjnana-hridaya Dharani.
  • Tantras de Atuação (Charya-tantra, Ubhaya-tantra, Upaya-tantra, Upa-tantra): inclui apenas alguns textos, que surgiram a partir do século VI, como o Maha-vairochana-bhisambodhi Tantra. Nesta classe, as atividades externas (vegetarianismo, ritos, atividades externas de limpeza e purificação, gestos simbólicos) e internas (meditação ou yoga) são enfatizadas igualmente, com destaque para as práticas meditativas sobre o dhyani-buddha Vairochana.
  • Tantras de União (Yoga-tantra): enfatizam a yoga interna, isto é, as práticas meditativas. Os tantras desta categoria também enfatizam uma dieta vegetariana. Os textos desta classe estão ligados ao buddha Vairochana (Sarva-durgati-parishodhana Tantra) e ao bodhisattva Manjushri (Manjushri-nama sangiti).
  • Tantras de União Superior (Anuttara-yoga-tantra): enfatizam a prática de yoga interna superior.

O tantra pai é associado à agressividade ou aversão. Ao se transmutar a agressividade, vive-se uma energia que contém uma tremenda força. Nenhuma confusão pode participar disso; a confusão é repelida automaticamente. É chamada de ira-vajra, já que é o aspecto adamantino da energia. O tantra mãe é associado à sedução ou apego e é inspirado pela sabedoria discriminativa. Cada aspecto do universo ou da vida é visto como contendo uma beleza própria. Nada é rejeitado, nada é aceito; porém, o que quer que percebamos tem suas qualidades próprias. Como não há rejeição nem aceitação, as qualidades individuais das coisas tornam-se mais claras e é mais fácil nos relacionarmos com elas. O tantra (não-dual) da união implica transmutar a ignorância no espaço que tudo permeia. Na ignorância comum, tentamos manter nossa individualidade, descobrindo o ambiente que nos cerca. Porém, na tantra da união não há subsistência da individualidade. É a percepção de todo o ambiente espacial, oposto ao espaço congelado da ignorância. Para transmutar a aversão, o apego e a ignorância, é preciso estar apto à comunicação direta e completa com a energia, sem estratégias.

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